língua

nunca senti tão versada

assim

língua deslizante

entre políticas e puritanas putarias

roçando à moda de Caetano

comendo Camões

pra ti

só Pessoa

nessa pena distante da língua

pátria de tanto mar e sal

fado tropical

também em oceanos atlânticos

rota certeira

sempre bem-vinda

tal puta recusa de sensatez

lacuna

alheia entranha

estupor imerso

amor não explica

distância não ameniza

doença não estagna

longe aqui dentro

kota furta-cor

nunca luzidia

oculta futurista

espera e prognóstico

pressuposto diagnosticado

entre laranjas e o número 42

da rua de nome perdido

na memória

até 5h

com quem sempre longesparsestá

mas me move

a pena

sem galhofa

nem melancolia